Sociedade sociedade.
Do sítio te livrou e só o esquecimento merece.
Mas lembras o rei que para a peleja te queria.
A esse dás história;
Ao outro nem sequer a memória.
É tua a cobardia.
Diz Eclesiastes 9:14-15, não eu.
A Raposa de Lã
Tenho coragem de ter vergonha.
A triste história do Abel que
Ó Rua
Vou tentar que a Rua não me leve. Agora não.
E se me empurrares para ti, ó Rua,
Um conselho te dou: Recua.
Vou tentar que a Rua não me leve. Hoje não.
Mesmo se tentares, ó Rua,
Digo-te que a razão, hoje, não é tua.
Vou tentar que Rua não me leve. Amanha não.
Se me vieres experimentar, ó Rua,
Sabe que a certeza de ontem hoje perdura.
Vou tentar que a Rua não me leve.
Desequilíbrio
O movimento veloz que vejo persiste em ficar.
O som ininterruptamente continuado de forma repetida perturba e não cala.
Desequilíbrio exaustivo!
És arrastar petulante de cadeiras;
És prato que garfo pica;
És moedas que saltam no bolso;
És cigarro incandescente que esbarra o cinzeiro;
És caneta que faz contas à mesa;
És miúdo que grita;
És calcar violento do velho sulcado pela vida;
És janela entreaberta que ginga;
És pássaro agudo que pia, pia, pia;
És vento farto de inércia e resmungas o calor que te separa de ti mesmo;
És pregão desvairado das flores descartáveis;
És semáforo que apita verde, vermelho, verde, vermelho, verde;
És carro que corre feroz.
Ferino
Terceira pessoa do singular.
-Não, não cabe no meu lugar!
Não, não me convém…
Oh, oportunismo sagaz
De fúria inaudita.
Gastadores: raça maldita.
Não vês tu que esbanjas?
Come desse pó que calcas e prova o que serás!
Ah! Marasmo ferino
De infinita mordomia.
Esbanjas, esbanjas, esbanjas!
Usas e malbaratas.
Abusas!





